Pinóquio em versão distópica sobe ao palco da Oficina Municipal do Teatro

Foto: Helena Tomás

No próximo sábado, às 21h30, o Pinóquio ganha nova vida na Oficina Municipal do Teatro, num espetáculo futurístico e distópico. “O Erro de GPTO ou As Mentiras de Pi” é a mais recente criação do Teatro Estúdio Fontenova e propõe-nos um monólogo que parte das palavras de Rosa Dias – mulher trans que escreve um texto inspirado livremente na história do boneco de madeira que queria ser um menino de verdade – para criar uma metáfora poderosa entre o mundo da tecnologia, robotização e inteligência artificial e a identidade de género.

Neste espetáculo, a única personagem é um robô, Pi. Num momento de partilha íntima, Pi conta-nos aquilo que julga serem as suas memórias, sendo interrompido frequentemente por uma voz – GPTO – que nos fala de dados e dos parâmetros de integridade de Pi. Pi questiona GPTO constantemente, procurando respostas que nem sempre chegam, sobre a família, o trabalho e a escola.

Para medir um círculo, começa-se num ponto qualquer. E para medir uma pessoa, por onde começar? Pelos pés, mãos, umbigo ou cabeça? Por onde anda, faz, pensa de si ou do mundo? E quando medida, porque atributos é então definida? Quais os fatores que entram na equação? Pi tenta medir-se, procurando a sua função entre o seu corpo artificial, a sua consciência imaterial, o mundo intransigente e as suas mentiras de sobrevivente. GPTO tenta medir-se, procurando a sua função entre o trabalho que realizou, o amor que dedicou, os sacrifícios que sofreu e os inadmissíveis erros que cometeu.

Sendo Pi um possível robô, como nos relacionamos com esta personagem? Estas são apenas algumas das questões que o espetáculo nos coloca. Inquietações e perguntas que poderão ser comuns a todas as pessoas cujo padrão não encaixa num puzzle pré-concebido.

“O Erro de GPTO ou As Mentiras de Pi” é interpretado por Ren D Marcus, jovem ator integrado no elenco após uma audição dirigida a várias pessoas não-binárias e trans. O desafio foi lançado e Ren aceitou-o de cabeça erguida, assumindo o risco de fazer um monólogo e abrindo a sua disponibilidade artística.

A encenação é assinada por José Maria Dias, que traz inspirações de um mundo consumido pela tecnologia. A música original é criada por João M. Mota, evocando sonoridades de universos culturais que remetem para filmes como Blade Runner ou Dune.

Os bilhetes têm o custo de 10€ e estão disponíveis para compra na OMT, nos postos da Ticketline ou online.

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