Há uma nova vida na Rua da Sofia. Mas o que dizem os comerciantes?
Desde o dia 10 de setembro de 2026, com a chegada do Metrobus a Coimbra-b e à Praça da República, que a Rua da Sofia ganhou uma nova vida e dinâmica. Fechada ao trânsito automóvel, à exceção dos SMTUC e de veículos autorizados (moradores e comerciantes locais), agora mais ampla e bonita, decorada com canteiros de flores e novas esplanadas, prevê-se que as pessoas voltem a aproximar-se desta que é uma das ruas mais bonitas da cidade, Património Mundial da UNESCO desde 2013. Com a confusão do trânsito longe, os antigos colégios renascentistas voltam a ganhar destaque e acredita-se que o turismo, que ficava pela Praça 8 de Maio, se estenda agora até à Sofia. Apesar de estarmos numa fase inicial que gera grande curiosidade e de ser ainda cedo para se tirar grandes conclusões, a maioria dos comerciantes da Sofia acredita que a nova dinâmica os vai beneficiar e aproximar de novos clientes.
Margarida Domingues, proprietária da Pastelaria Penta, há 30 anos na rua da Sofia, tem não só assistido mas, também, contornando as dificuldades que a Baixa e a Sofia têm atravessado ao longo das últimas décadas. A Penta é o espelho de quem nunca baixou os braços: considerada por muitos como uma das melhores pastelarias da cidade, além de oferecer produtos de qualidade inquestionável, a Penta revela, em cada detalhe, cuidado, dedicação e bom gosto, proporcionado ao cliente uma experiência completa. Margarida olha para as mais recentes alterações da Sofia como uma nova oportunidade para concretizar aquilo que tanto ambiciona para a Penta: chegar a um novo tipo de cliente, mais jovem e dinâmico, estando já a trabalhar e a projetar uma esplanada bonita, confortável e harmoniosa, à imagem daquilo que a Penta já é. Além de chegar a novos clientes, a proprietária da Penta acredita que as alterações podem atrair novos negócios à Rua da Sofia e, até ao momento, tem ouvido apenas palavras de agrado por parte de quem visita a Pastelaria. Ressalvando que existem diversas opiniões, porque todos os comerciantes e cidadãos lidam com as mudanças de forma diferente, Margarida opta por acreditar e apostar na nova dinâmica da artéria, com trabalho e investimento como, de resto, tem feito ao longo das últimas três décadas.
Raquel, um dos rostos mais simpáticos da Rua da Sofia, foi uma das funcionárias que abriu a Cavalinho Coimbra, marca portuguesa de acessórios, malas e calçado, em Dezembro de 2015. Apesar de reconhecer que ao longo dos anos tem sentido uma evolução desde o dia em que ali chegou, Raquel acredita que esta mudança tinha de acontecer. Na sua opinião, a rua está esteticamente mais bonita e já se vêem mais pessoas a circular por ali. Da parte da grande maioria dos clientes habituais da Cavalinho chegam opiniões positivas acerca das recentes alterações e Raquel não tem dúvidas de que as pessoas vão começar a ter mais vontade de passear pela Baixa e pela Sofia. A comerciante acrescenta ainda que é com grande alegria e entusiasmo que tem visto, a qualquer hora do dia, as novas esplanadas dos comerciantes vizinhos sempre ocupadas, acreditando que, em breve, também os turistas passem a incluir a Sofia nos seus roteiros pela cidade.
Quando abriu a Cosmética da Sofia, há treze anos, Ana não tinha dúvidas de que era ali, naquela rua, que se queria estabelecer. Além de vender produtos para cuidados básicos de higiene e estética de unhas, oferece uma seleção de marcas nacionais e internacionais de pequenos e delicados artigos de decoração. Além dos seus clientes habituais, muitos dos quais trabalham por ali, acredita que o movimento de pessoas que já se faz sentir na Sofia venha, a médio prazo, a traduzir-se em novos clientes e vendas. Para já, só o facto do barulho e a confusão do trânsito terem dado lugar a mais pessoas, a uma rua mais bonita e airosa onde o ar que se respira é mais puro, já a deixa satisfeita e esperançosa no que o futuro reserva para a “nova” Sofia.
Paula Martinho, proprietária da Casa Santa Isabel (também conhecida como a “Casa dos Santos”), é a mulher responsável por manter abertas as portas de uma das lojas mais antigas (desde 1960 na Sofia) e preciosas da Rua. Sendo uma das comerciantes mais ativas e dinâmicas da zona, Paula sempre assumiu ser a favor da pedonalização da rua, mas defende que o processo deveria ter sido planeado de outra forma. Para a lojista e advogada, a prioridade deveria ter sido tornar a rua mais atrativa e só depois fechar o trânsito. Paula reforça a urgência de criar parcerias entre o setor do turismo e a diocese, alertando para o desaproveitamento do património dos antigos colégios da Sofia, com as suas igrejas e claustros. Além disso, critica a falta de condições de acessibilidade: a supressão de algumas linhas de transportes públicos que traziam pessoas à Baixa complicou a vida a quem já ia com alguma relutância, sem que fossem criadas alternativas eficazes. Na opinião de Paula, faltam também algumas infraestruturas de conforto no espaço público, como zonas de sombra e elementos decorativos mais atrativos e bonitos, bem como a urgência na reabilitação e cuidado de alguns edifícios que pertencem ao próprio município. Nesta fase inicial, impulsionada pelos dias de sol e pela curiosidade, Paula reconhece um aumento do fluxo de pessoas a circular na rua. Contudo, em relação ao negócio, não se registam perdas nem ganhos. Com a certeza de que esta alteração vem beneficiar sobretudo o setor da restauração, Paula Martinho recusa cruzar os braços. Para Paula o processo foi feito "ao contrário", mas não é por isso que deixa de se empenhar para que as alterações se tornem favoráveis a todos: já alargou o horário da Casa dos Santos ao sábado à tarde e durante a semana mantém as portas abertas até às 19h30 sempre que o movimento o justificar.
Texto: NUVIDEIA
Desde o dia 10 de setembro de 2026, com a chegada do Metrobus a Coimbra-b e à Praça da República, que a Rua da Sofia ganhou uma nova vida e dinâmica.