A história por detrás da CoimbraExplore: 10 anos a descobrir Coimbra

Há quase 10 anos, Fábio Magalhães decidiu criar uma plataforma para dar a conhecer Coimbra, os seus lugares, as suas pessoas, os seus projetos e tudo aquilo que torna a nossa cidade especial. Nascia assim a CoimbraExplore, que está agora prestes a celebrar uma década de vida. Para assinalar a data, fomos falar com o fundador da plataforma e perceber o que o levou, há uma década, a criar este projeto, quais foram os momentos que mais o marcaram ao longo destes anos e que sonhos e ambições guarda ainda para o futuro.

 

Em Outubro de 2016, Fábio Magalhães estava a trabalhar no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) quando começou a sentir que havia uma parte da programação cultural de Coimbra que não estava a chegar tão longe quanto poderia. Havia espetáculos de qualidade, projetos interessantes e coisas a acontecer na cidade, mas nem sempre a informação encontrava o público.

Foi dessa inquietação que nasceu, quase sem que o próprio percebesse a dimensão que viria a ganhar, a CoimbraExplore.

 

Sem grandes planos e sem qualquer estratégia definida que não fosse a promoção dos espetáculos do TAGV, Fábio criou uma Página de Facebook e por lá começou a partilhar os conteúdos. O primeiro post não se recorda bem, mas terá sido um printscreen de um cartaz de um evento do TAGV. “Não havia propriamente um plano para criar uma plataforma. Havia apenas a vontade de comunicar melhor a cidade”, recorda. E esta é uma das partes mais bonitas da história da CoimbraExplore, é que esta não nasceu como um projeto para durar dez anos. Nasceu de um olhar atento sobre a cidade e de uma vontade de fazer melhor. 

 

Nos primeiros tempos não havia ainda a consciência de estar a construir uma marca, nem sequer grandes expectativas em relação ao futuro. Foi preciso esperar alguns anos para que o próprio fundador começasse a olhar para o futuro e para a plataforma de outra maneira. Para isso, a conversa que teve com um amigo, corria o ano de 2020, foi crucial. O amigo de Fábio ficou surpreendido ao perceber que este não tinha registado a marca “CoimbraExplore”. Esta surpresa ficou-lhe na cabeça e foi assim que avançou com o registo da marca no INPI. E isto foi mais do que um procedimento formal, foi o momento que marcou uma mudança na forma como Fábio passou a encarar a CoimbraExplore. A partir daqui já não era apenas uma Página de Facebook, mas um projeto com identidade, valor e espaço para crescer.

 

E se é verdade que a mudança na CoimbraExplore começou em 2020 com o registo da marca no INPI também é verdade que o verdadeiro sinal de que o projeto estava a ganhar vida própria chegou através das pessoas. Primeiro nas conversas de dia a dia, Fábio começou a ouvir, cada vez mais, palavras de reconhecimento e felicitação quando descobriam que era ele quem estava por detrás da CoimbraExplore. Mas houve um sinal ainda mais claro. Começaram a chegar contactos de pessoas, empresas, associações, instituições e promotores que procuravam esta plataforma para divulgar os seus projetos, eventos, espaços e iniciativas. E é aqui que está o ponto de viragem. A Coimbra Explore deixava, assim, de ser apenas um lugar onde Fábio escolhia o que mostrar. Começava também a ser um lugar onde os outros queriam estar. E houve uma mensagem que lhe ficou particularmente marcada na memória, talvez por ter sido a primeira de todas. Alguém queria saber como poderia divulgar o seu projeto na CoimbraExplore. “Pode parecer uma coisa simples, mas naquele momento pensei: estamos a chegar às pessoas”, recorda. Era um pequeno sinal de que a plataforma começava a ultrapassar aquilo que Fábio publicava por iniciativa própria e passava a ser reconhecida como uma plataforma onde fazia sentido estar.

 

Ao longo dos anos alguns conteúdos acabaram por ganhar uma importância que Fábio talvez não previsse quando criou a Página. É o caso da rubrica “Fim de semana em Coimbra”, que reúne alguns dos principais destaques da cidade e se tornou um dos conteúdos mais procurados e partilhados. Ou das seleções dos eventos do mês, que ajudaram a transformar a CoimbraExplore numa espécie de agenda informal da cidade, reunindo propostas diferentes num só lugar. Mas há também espaço para um lado espontâneo que nasce das deambulações de Fábio pela cidade. E estas nascem sem qualquer planeamento: uma corrida ou uma caminhada que se transformam numa espécie de tour fotográfica por Coimbra. E é precisamente nessa espontaneidade que está uma parte importante da identidade da plataforma, como explica Fábio: “Muitas vezes vou correr ou caminhar e acabo por fazer uma espécie de tour fotográfico pelo caminho. Fotografo uma rua, um detalhe, uma luz diferente, um sítio onde já passei centenas de vezes. São conteúdos sem grande planeamento, mas que acabam por mostrar Coimbra de uma forma muito genuína e têm grande interação por parte dos seguidores.”

 

No fundo tudo isto são três formas diferentes de fazer a mesma coisa: informar, despertar a curiosidade e mostrar Coimbra através de um olhar atento sobre a cidade.

 

E, ao olhar para Coimbra através da CoimbraExplore há uma década, Fábio assistiu à transformação da própria cidade. Para ele, a principal mudança está na energia que hoje se sente: mais projetos independentes, novos espaços, eventos e pessoas com vontade de criar e fazer diferente. Sente também uma cidade mais confiante naquilo que tem para oferecer. “Há 10 anos sentia muitas vezes que a cidade não mostrava tudo o que tinha; hoje isso está a mudar, mesmo que ainda haja muito caminho para fazer”, afirma.

 

E também a forma de fazer a CoimbraExplore mudou nestes dez anos. Se no início era difícil perceber até onde chegava uma publicação, hoje as ferramentas permitem acompanhar quase em tempo real aquilo que desperta a atenção de quem está do outro lado. Mas a principal mudança, para Fábio foi outra. “Há dez anos era preciso explicar o que era a CoimbraExplore. Hoje, muitas vezes, basta dizer o nome.” E isto, por mais simples que pareça, mudou muita coisa.

 

Mas claro, uma década também traz momentos de dúvida. Manter um projeto como a CoimbraExplore ao longo de dez anos, conciliando-o com a sua atividade profissional, nem sempre foi fácil. O que o fez ficar foram, muitas vezes, pequenos sinais de que o projeto continuava a ter impacto: uma mensagem de alguém que descobriu um lugar através da plataforma, uma publicação que chegou a milhares de pessoas ou simplesmente alguém que, numa conversa dizia: “vi isso na CoimbraExplore”.

 

Por tudo isto, a pergunta inevitável é: o que vem a seguir?

 

Fábio não fala de grandes planos fechados, mas há algo que permanece igual desde 2016: a vontade de continuar a descobrir Coimbra. Porque, apesar de uma década a olhar para a cidade com atenção, ainda há ruas por percorrer, pessoas por conhecer, projetos para descobrir e histórias para contar. Coimbra mudou. A CoimbraExplore também. Mas a curiosidade que esteve na origem do projeto continua lá e essa é a melhor forma de entrar na próxima década: continuar a explorar.

Texto: NUVIDEIA

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