À mesa com Coimbra: onde comer as melhores bifanas da cidade

Há espaços, petiscos e pessoas que guardam a verdadeira alma de Coimbra. Neste artigo, partilhamos as três tascas e cafés icónicos onde vai encontrar as melhores bifanas da cidade e, arriscamos dizer, talvez do país. Afinal, a felicidade ainda está nos sabores e nas coisas mais simples da vida.

 

Mijacão

O nosso roteiro começa numa das tascas mais antigas de Coimbra: o Mijacão, na Rua Nova, uma ruela estreita e discreta junto à Rua da Sofia. O espaço já conheceu vários proprietários, mas desde 1993 que é o Sr. Jorge quem assume o leme, preservando e lutando pela sobrevivência de um negócio à moda antiga, quase em vias de extinção. O mundo e os hábitos mudaram muito nas últimas décadas, sobretudo depois da pandemia, mas o Mijacão mantém-se fiel à sua identidade, continuando a ser um ponto de encontro para quem não dispensa um bom petisco: falamos de moelas, orelha, pataniscas mas, sobretudo, de bifanas. Servidas tradicionalmente em pão de bico mas com a opção em pão d’avó, as bifanas tradicionais continuam a estar no topo das preferências. Mas o Sr. Jorge fez questão de acompanhar os tempos e as exigências dos clientes e introduziu bifanas grelhadas, pensadas para "aqueles que vão ao médico e descobrem que têm de evitar os fritos", partilha em jeito de graça. Para os mais gulosos, há a Bifana São Bernardo (com queijo, fiambre e ovo) e, para os apetites verdadeiramente vorazes, a Buldogue, com três suculentas fatias de carne. Como manda a tradição de uma tasca com história, a melhor companhia da Bifana continua a ser o clássico traçadinho.

Horário: de segunda a sexta, das 8:30 às 18:30; sábado, das 8:30 às 13:00; encerra ao domingo.

 

Café Cervejaria Borges

Quem conhece o Café Cervejaria Borges, na Avenida Marnoco e Sousa, sabe que o grande segredo por trás das famosas bifanas não está num ingrediente secreto, mas sim numa pessoa: o próprio Sr. Borges. Aos 79 anos, o proprietário é uma das figuras mais míticas de Coimbra. Bem-disposto e conversador, é ele o mestre de um “pitéu” que já lhe valeu alguns reconhecimentos. "A carne é da qualidade que eu quero, cortada como eu quero", partilha orgulhoso, enquanto nos mostra as fatias de carne tenras e frescas, meticulosamente preparadas por si, sem qualquer vestígio de gordura. O pão de bico, fofo como algodão, é produzido em exclusivo para o Sr. Borges, garantindo a frescura diária de um petisco que serve há quase 50 anos. O molho, segredo que não revela, cria uma simbiose perfeita entre a carne e o pão. Outro ex-líbris do espaço são as tostas de galinha, receita criada pela sua saudosa esposa, e que o Sr. Borges faz questão de manter viva, “ao seu jeito”. Além dos clientes habituais e amigos de longa data da casa, as famosas bifanas do Sr. Borges continuam a atrair dezenas de curiosos, dia após dia. O Sr Borges conta que ainda há pouco tempo, três rapazes “bem nutridos” devoraram 18 bifanas de uma assentada e, noutro dia recente, o café tornou-se pequeno para acolher um grupo com mais de 40 pessoas que ali chegou para saborear uma das melhores tradições de Coimbra. No Sr. Borges, as bifanas são, por norma, acompanhadas por um (ou vários) fino(s) Sagres.

Horário: De segunda a sábado, das 9:00 às 21:00; encerra ao domingo.

 

Tettris Café

Foi há 18 anos que Ana Paula e o marido, Jacinto, se tornaram proprietários do Tettris Café, o número 86 da Rua Daniel de Matos, no Bairro Norton de Matos. Naquela época, no café funcionava também um salão de jogos e o ambiente que ali se vivia não seria o mais agradável para um “café de bairro”. Com a chegada do casal, tudo se alterou. Encerraram o salão de jogos e incluíram na ementa diária uma série de petiscos apetecíveis a qualquer hora do dia: tostas de galinha, moelas, asinhas e ossos cozidos. Mas foram as bifanas que conquistaram, e continuam a conquistar, a cidade.  No Tettris, a bifana tradicional é servida em pão d’avó, tipo chapata. Mas pode-se dizer que é a “bifana à Tettris”, a protagonista da casa: inclui, além da febra, queijo, fiambre e ovo. Ana Paula garante que não há segredos, revelando apenas que a carne é cortada no próprio local. Mas alguma "magia" há de ter: dias antes da nossa conversa, tinham voado mais de cem bifanas em menos de 24 horas. Entre os pedidos de almoço e os desejos de fim de noite, uma vez que a cozinha funciona até às duas da manhã, enquanto houver pão, o sucesso é garantido. Para acompanhar? Um fino Super Bock “bem tirado”.

 

Horário: De domingo a sexta, das 8:00 às 2:00; encerra ao sábado.

TEXTO: NUVIDEIA

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