Coimbra Volta a Dançar! Abril regressa com talento português e compromisso com a inclusão
O festival Abril Dança Coimbra regressa de 2 a 29 de abril com cerca de 15 propostas que cruzam criação artística contemporânea com uma forte componente de participação do público. Promovido pela Câmara Municipal (CM) de Coimbra, através do Convento São Francisco (CSF), e pela Universidade de Coimbra, através do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), o festival vai decorrer ao longo do mês em ambos os espaços. O festival foi apresentado hoje, dia 19 de março, em conferência de imprensa, no CSF, pela vereadora da Cultura, Margarida Mendes Silva, e pelo diretor do TAGV, Sílvio Correia Santos.
A edição de 2026 integra espetáculos, performances, oficinas e projetos comunitários, refletindo uma aposta consistente na diversidade de públicos e no envolvimento ativo da comunidade. Assim, ao longo do mês de abril, Coimbra volta a afirmar-se como território de criação contemporânea na área da dança e da performance, acolhendo artistas e projetos que exploram diferentes linguagens, estéticas e temas da atualidade.
A programação destaca a criação contemporânea nacional, reunindo coreógrafos e intérpretes de diferentes gerações, e promovendo o diálogo entre percursos emergentes e nomes consagrados.
A vereadora parafraseou Debbie Allen para dar conta que a dança é um “espaço de confluência entre a dor, o medo, e a incerteza e a criatividade, o sentido de comunidade e o cuidado em relação aos outros”, que, no fundo, está na base do Abril Dança Coimbra. “Quando nos movemos juntos, tornamo-nos mais flexíveis, ouvimos e reconstruímos a confiança, não apenas uns nos outros, mas também em nós mesmos”, afirmou Margarida Mendes Silva, citando a atriz e dançarina norte americana de “Fame”.
O programa arranca no dia 2 de abril, às 21h30, no TAGV, “ONYX”, de Piny. A peça, que explora o corpo como espaço de resistência e expressão política, é uma criação que cruza dança, performance e culturas urbanas, num universo onde se dissolvem fronteiras entre o político, o íntimo e o coletivo.
Projeto RAMPA.3
Entre os momentos centrais do festival encontra-se a estreia do projeto RAMPA.3, que reúne 24 intérpretes de todo o país numa criação dirigida por Benvindo Fonseca, figura maior da dança contemporânea portuguesa e antigo primeiro bailarino do Ballet Gulbenkian. Este projeto de criação e de formação artística, que tem vindo a afirmar-se ao longo das últimas edições, promove o encontro entre gerações e consolida-se como uma plataforma relevante no desenvolvimento de novos talentos, sendo apresentado no dia 12 de abril, no Grande Auditório do Convento São Francisco, às 18h00.
A programação integra também propostas que exploram novas linguagens e abordagens contemporâneas, como “Wonderlandi”, nova criação de Lander Patrick, no dia 16, às 21h30, no Grande Auditório, e “Enfreakment”, de Diana Niepce, no dia 23, às 19h00, na Black Box. Estas criações evidenciam a diversidade estética e o pensamento crítico que atravessam a programação do festival.
Dimensão inclusiva e comunitária
A dimensão inclusiva e comunitária volta a assumir um papel de destaque, nomeadamente com a iniciativa “Dançar com Parkinson”, uma sessão que promove o bem-estar físico e emocional através da dança, envolvendo utentes, famílias e comunidade, e que decorre mensalmente no CSF, com a particularidade de ser aberta ao público, no dia 11, às 11h00, no Foyer do CSF. Paralelamente, o festival aposta na formação de públicos, com atividades dirigidas a escolas e famílias, como as oficinas “Hoje a aula é no teatro!” (15, 20 e 29, às 10h00, na Black Box) e “Em cada esquina, um bailarino” (dia 19, às 16h00, e dia 26, às 11h00, no Foyer), orientadas pela bailarina Noeli Kikuchi, que participou na primeira edição do projeto Rampa, em 2023.
A programação integra propostas dirigidas à primeira infância, como o concerto para bebés “A Bebé que Adora Dançar Rios” (dia 12, às 10h00 e às 11h30, na Antiga Igreja), que convida famílias a uma experiência sensorial e imersiva e conta com a participação especial da pianista e compositora Inês Condeço.
O festival encerra a 29 de abril, Dia Mundial da Dança, às 19h00, no Grande Auditório, com o espetáculo “BICHOS”, pela companhia Dançando com a Diferença, reconhecida pelo trabalho inclusivo que integra intérpretes com e sem deficiência, e que regressa ao CSF. A criação celebra dez anos desde a sua estreia e estabelece uma ligação simbólica à abertura do Convento São Francisco em 2016, inspirando-se na obra Bichos, de Miguel Torga — a mesma que deu origem ao espetáculo de abertura do CSF naquele ano, pela companhia O Bando. O espetáculo vai contar com medidas de acessibilidade, como audiodescrição, no âmbito da Rede de Teatros com Programação Acessível.
No TAGV, a programação reúne ainda um conjunto de propostas que cruzam dança e performance com forte consciência social, como explicou o diretor do TAGV, Sívio Correia Santos, que destacou esse questionamento de alguns desafios da contemporaneidade a partir da arte como espaço de resistência. Esse questionamento assenta em abordagens que partem da denúncia das condições de exploração da mulher, da dificuldade de comunicação num tempo profundamente individualista ou da própria dificuldade de parar e de contemplar.
Ao mesmo tempo, esta programação afirma a importância dos novos criadores, abrindo espaço a artistas em diferentes momentos do seu percurso, e reforçando a ligação à Universidade como lugar de pensamento crítico e experimentação. O ciclo Corpos Performáticos é disso um exemplo claro: um espaço em que a prática artística e a investigação académica se cruzam, permitindo que a criação se faça também como forma de questionar o mundo e de o partilhar com diferentes comunidades.
Destaques para a noite de 14 de abril, em parceria com o NANT26, que apresenta os solos “Isto Não É Para Besta, É Para Gente!”, de MAgda, um espetáculo muito forte, centrado na figura das carquejeiras do Porto e “O Quê?”, de Mariana Silva, focado em questões de identidade e incomunicabilidade. O TAGV acolhe também, nos dias 15 e 28 de abril, às 18h30, o projeto “Corpos Performáticos”, com artistas e investigadores do Colégio das Artes e da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que convida o público a percorrer espaços não convencionais do teatro, numa experiência imersiva que cruza criação artística e investigação. Durante dois meses, esses mesmos artistas.
Com uma programação diversificada, acessível e inclusiva, o Abril Dança Coimbra reforça o seu papel na dinamização cultural da cidade, promovendo o acesso à criação contemporânea e o envolvimento ativo da comunidade.
Bilhetes e informações úteis
Os bilhetes estão disponíveis na bilheteira do Convento São Francisco e do TAGV, bem como online. O programa completo pode ser consultado nos canais oficiais do Convento São Francisco e do TAGV.
O festival Abril Dança Coimbra regressa de 2 a 29 de abril com cerca de 15 propostas que cruzam criação artística contemporânea com uma forte componente de participação do público.