Nico e sonhos de papel, de Magnum Soares, estreia em Coimbra no dia 10 de outubro, às 19h30
Novo espetáculo multidisciplinar cruza dança e teatro de marionetas numa travessia poética e sensorial sobre a imaginação como lugar de liberdade e resistência.
A estreia absoluta do espetáculo Nico e sonhos de papel, de Magnum Soares, está agendada para dia 10 de outubro, às 19h30, no auditório do Museu Nacional de Machado de Castro (uma apresentação do Teatro Académico de Gil Vicente).
A obra marca o regresso do artista multidisciplinar brasileiro, residente em Portugal há cerca de uma década e formado em Dança-Teatro, a uma criação que cruza a dança, a manipulação de marionetas e uma cenografia que articula tecnologia, luz e matéria sensível.
A imaginação como território de refúgio e resistência
Em Nico e sonhos de papel, acompanhamos a história de uma criança que vive no meio do colapso de uma cidade em guerra e encontra nos sonhos o seu refúgio. Num tempo em que se investem fortunas para explorar o espaço exterior, o espetáculo propõe outra travessia: íntima, silenciosa e essencial, rumo ao universo que existe dentro de cada um de nós. Basta fechar os olhos para viajar. Enquanto foguetes custam milhões, os seus sonhos voam sem gastar nada. No escuro das pálpebras, acendem-se estrelas; cada sombra vira planeta, cada gesto inventa uma galáxia.
Sem recorrer à palavra falada, a obra constrói uma dramaturgia sensorial e não-verbal. É o silêncio que conduz, é o espaço que fala, refere Magnum Soares, que assume a direção artística, a cenografia e as marionetas. A criação nasce da escuta entre o corpo e a matéria, entre o gesto que dança e o objeto que respira, transformando a marioneta da criança-sonhadora num símbolo de um corpo frágil e potente.
Destinado a todos os públicos, para todos os que ainda sabem brincar e para aqueles que talvez tenham esquecido como se faz, o espetáculo conta com interpretação de Magnum Soares e Francisca Poças, dramaturgia de Giacomo Scalisi, música original de Teresa Gentil, figurinos de Sara Leme e ilustração de Camila Veríssimo. A criação é uma coprodução do Museu da Marioneta/EGEAC e Lavrar O Mar – Cooperativa Cultural.
Sobre o criador Magnum Soares
Nascido em Mariana (Minas Gerais, Brasil, 1996), Magnum Soares é um artista multidisciplinar que transita entre a dança contemporânea, as artes visuais e o teatro de marionetas. A sua prática artística transforma materiais recicláveis e recursos não convencionais em marionetas e objetos cenográficos, fruto de uma pesquisa autoral sobre a fusão entre corpo, gesto e matéria.
A sua formação iniciou-se nas Belas Artes com o Mestre Elias Layon, passando pela Escola de Bailados de Mariana e pelo teatro de marionetas com direção do Mestre Catin Nardi (Companhia Navegante) e, mais tarde, aprimorado o seu percurso no curso FOR DANCE THEATRE da Companhia Olga Roriz.
Como intérprete, trabalhou com criadores como Victor Hugo Pontes, Sílvia Real, Francisco Camacho, Marina Nabais, Madalena Victorino, Marta Jardim, Tiago Cadete, Guto Martins, Ricardo Campos Freire e Sara Montalvão. Participou ainda em séries de televisão (como Ouro Verde e Alma e Coração) e em videoclipes de artistas como Madonna, Maluma, Blaya e Moullinex. Enquanto criador autoral, assina obras como O Segredo do Chá (2017), A Caravela Desconhecida (2020), Raízes (2022), Jacarandá (2023), Ilusão teimosa.mente persistente (2024) e Dominó (2025). Paralelamente, dedica-se a projetos comunitários que utilizam a dança e a marioneta como ferramentas de transformação coletiva.
Após a apresentação em Coimbra, o espetáculo seguirá em digressão
22 a 25 de outubro: Museu da Marioneta (Lisboa)
7 e 8 de novembro: EscolaNova – Centro de Artes da Bordeira
15 de novembro: Casa Novo Bowing (Odemira)
Este espetáculo será apresentado no novo auditório do Museu Nacional de Machado de Castro, resultado da recente parceria com o TAGV.
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