cinema
Ludwig — Luís da Baviera
De Luchino Visconti
€6 — €4
O filme segue a história de Ludwig II (Helmut Berger, com uma semelhança perturbadora com o rei) desde que, aos 18 anos, acedeu ao trono, até à sua morte. O enamoramento pela sua prima Sissi da Áustria (Romy Schneider, maravilhosa), a paixão pela arte e pela beleza, a poesia, a música, os seus sonhos e as suas fraquezas. Quatro horas de puro prazer e volúpia, que Olivier Assayas descreveu assim: O Ludwig de Visconti entra de imediato na categoria de filmes maiores que o cinema, mais audaciosos que a sua época e cuja existência é um desafio ao prosaísmo do quotidiano, e ao materialismo do século.
É uma obra maior entre as obras maiores de Visconti e vamos ter a oportunidade de a ver pela primeira vez na versão integral, num sublime restauro digital. O filme segue a história de Ludwig II (Helmut Berger, com uma semelhança perturbadora com o rei) desde que, aos 18 anos, acedeu ao trono, até à sua morte. O enamoramento pela sua prima Sissi da Áustria (Romy Schneider, maravilhosa), a paixão pela arte e pela beleza, a poesia, a música, os seus sonhos e as suas fraquezas. Quatro horas de puro prazer e volúpia, que Olivier Assayas descreveu assim: “O Ludwig de Visconti entra de imediato na categoria de filmes maiores que o cinema, mais audaciosos que a sua época e cuja existência é um desafio ao prosaísmo do quotidiano, e ao materialismo do século.”
Luchino Visconti di Modrone nasceu em Milão a 2 de Novembro de 1906, no seio de uma família nobre (o seu título viria a ser Conde de Lonate Pozzolo), algo que, desde muito cedo, lhe permitiu ter uma ligação forte ao mundo das artes. Nos anos 30, mudou-se para França, onde, graças à sua amizade com a estilista Coco Chanel, conheceu o realizador Jean Renoir. Foi através dele que Visconti entrou no mundo do cinema, enquanto seu assistente de realização em Toni (1935), Passeio ao Campo (1936), O Mundo do Vício (1936) e Tosca (1941), este último completado por Carl Koch depois de Renoir fugir devido à guerra. A partir de 1940, ligou-se ao grupo do jornal Cinema e resolveu fazer os seus próprios filmes, tendo vendido algumas jóias de família para financiar o primeiro, Obsessão (1943). Considerado um dos primeiros exemplos do neo-realismo, o filme chocou com a Itália fascista (o filho de Benito Mussolini, Vittorio, editor do jornal Cinema, terá gritado “Isto não é a Itália!” na estreia do filme) e foi censurado, só voltando a ser exibido em Maio de 1945. Visconti fez parte da resistência contra o fascismo, emprestando o seu palácio e participando em acções armadas, algo que levou à sua detenção por parte da Gestapo. No âmbito de uma encomenda do Partido Comunista Italiano, já depois da libertação de Itália, realizou a sua segunda longa-metragem, A Terra Treme (1948). Este filme sobre uma família de pescadores, filmado completamente no local (Aci Trezza, na Sicília), com um elenco de não-actores, é considerado uma das maiores obras, não só do neo-realismo, mas de todo o cinema italiano. O seu filme seguinte, Belíssima, continuou nesta senda. Em 1954, com Sentimento, encontram-se os sinais de uma nova fase na sua carreira, pautada pelo melodrama e um estilo intimista, com narrativas mais pessoais (Rocco e os Seus Irmãos, em 1960, seria um regresso ao neo-realismo), que se afirmaria a partir da década de 1960, com obras-primas como O Leopardo (1963); Os Malditos (1969), que lhe valeu uma nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Original; Morte em Veneza (1971); Ludwig – Luís da Baviera (1972); Violência e Paixão (1974) e O Intruso (1976), o seu último filme, estreado depois da sua morte a 17 de Março de 1976, na sequência de um ataque cardíaco (um primeiro ataque cardíaco em 1972 deixou-o debilitado e os seus dois últimos filmes foram realizados numa cadeira de rodas). Épicos sobre as mudanças dos tempos, a decadência e a morte, beleza e sexualidade, olhares incisivos sobre a sociedade italiana, cimentaram o lugar de Luchino Visconti como um dos nomes maiores do cinema italiano e de toda a história do cinema.
— Medeia Filmes
Origem França, Itália, Alemanha, 1973
Com Helmut Berger, Silvana Mangano, Romy Schneider, Trevor Howard
Prémios David di Donatello 1973 – Melhor Filme, Melhor Realização, Prémio Especial (Helmut Berger)
Cópia restaurada / versão integral
Ciclo Retrospetiva Luchino Visconti
auditório TAGV
duração aprox. 3h59
M12