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Histórias para assustar gente grande: as narrativas da extrema-direita no Brasil | TAGV

No debate político no Brasil e no resto do mundo, o termo “narrativa” tem sido esvaziado pelo uso excessivo e negativo. Com frequência, à direita, mas também à esquerda, reduz-se à “mera narrativa” o que ‘outro lado’ alega sobre o ‘nosso lado’. Nesta fala, pretendo me debruçar com mais vagar sobre o conceito de narrativa, entendendo-a como uma forma singular de linguagem e pensamento, cujas características são fundamentais para a construção, adaptação e manutenção do grande storyworld conspiratório construído pela extrema-direita brasileira, feito para insuflar medos e produzir inimigos imaginários capazes manter eternamente mobilizada sua base de apoio. Ao pensar a narrativa como pedra angular das construções de sentido que visam manter “engajada” a base do bolsonarismo – mas também do MAGA, nos EUA, ou de partidos como o Chega, em Portugal – encaro esse projeto como uma construção criativa e dialogo com outros gêneros narrativos/dramáticos, como o cinema, as séries e o teatro, buscando neles antídotos igualmente narrativos que possam confrontar esse projeto.
— Renata Gomes

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Renata Gomes é Jornalista graduada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), montadora com formação técnica pela Universidade de Nova Iorque (NYU) e mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de SP (COS/PUC-SP), com pesquisa sobre narrativas nos videogames. Desde 2020, vem pesquisando a construção do storyworld bolsonarista para a pandemia de Covid-19, abordando a natureza narrativa dessa empreitada, que utilizou a droga cloroquina como âncora de sua ideação conspiratória. É professora do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (Cecult/UFRB) desde 2015, onde ensina, pesquisa e orienta trabalhos de Cultura Digital e Audiovisual.

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08.04.2026 — 10H30 / Café-Teatro do TAGV / Entrada Livre