1 a 15 de março de 2027 | Tema: Harmonia
Na mitologia grega, Harmonia é filha de Ares e Afrodite e as suas bodas com Cadmo, rei de Tebas, constituem um dos momentos de particular significado numa tradição que criou personagens com a força de Édipo e Antígona. A própria figura de Harmonia sugere uma ideia particularmente fértil: a união de elementos distintos, mesmo quando estes são marcados pela tensão ou pela oposição. Assim, mais do que a concordância absoluta ou a ausência de conflito, Harmonia consubstancia uma forma de relação entre partes diversas.
É neste sentido lato que a Universidade de Coimbra propõe a Harmonia como tema da XXIX Semana Cultural, a realizar de 1 a 15 de março de 2027. Sublinha-se, neste contexto, que a Harmonia seja entendida como princípio estético, cultural e intelectual de amplo espectro. Existe no ritmo e na música, na relação entre palavra, imagem e movimento, na arquitetura e nas artes em geral, mas também na procura de relações entre diferentes formas de conhecimento e de expressão, na composição de elementos dissemelhantes e até de contrários.
A própria ideia de Universidade assenta nessa pluralidade de saberes, perspetivas e linguagens. E a cultura nasce também do encontro entre aquilo que é diferente: entre tradição e criação, memória e futuro, ciência e arte, património e inovação. Harmonia não significa, portanto, mera uniformidade. Pressupõe, antes, diversidade, contraste, negociação, encontrando na relação entre elementos distintos novas possibilidades de sentido e de criação.
A XXIX Semana Cultural convida assim a celebrar as múltiplas formas de Harmonia que atravessam a vida humana e académica: a harmonia das artes, das palavras, dos sons e dos espaços; a relação entre cultura e ciência; a convivência entre diferentes saberes, sensibilidades e comunidades. Será também uma oportunidade para pensar a Universidade enquanto lugar onde a polifonia de mundividências e de vozes pode encontrar formas de coexistência, diálogo e criação comum.