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Retrospetiva Michael Haneke | TAGV

cinema

Retrospetiva Michael Haneke

12 outubro 21h30 / A Pianista
19 outubro 18h30 / Happy End
26 outubro 18h30 / Amor

€6 — €4

O cineasta austríaco Michael Haneke é um dos mais conceituados realizadores do cinema europeu contemporâneo, com uma obra notável, excecional e única, multipremiada (para além dos mais de 60 prémios, é também um dos poucos realizadores a vencer duas Palmas de Ouro em Cannes). Regressamos à sua obra com uma retrospetiva dos seus filmes.

Michael Haneke é um dos mais conceituados realizadores do cinema europeu contemporâneo, com uma obra excepcional e única, multi-premiada (para além dos mais de 60 prémios, entre eles um Óscar, é também um dos poucos realizadores a vencer duas Palmas de Ouro em Cannes). Por coincidência, há algumas semanas, um amigo seu afirmava à imprensa que Haneke não voltaria a filmar. A retrospetiva que apresentamos dá-nos a ver o corpus da sua obra.

Nascido em 1942, no seio de uma família ligada ao cinema e ao teatro (a sua mãe foi actriz, e o seu pai foi actor e encenador), Haneke construiu uma obra sem concessões, inquieta, perturbadora e provocadora (o próprio afirmou que “a arte deve ser provocação”), e soube como poucos ler o seu e o nosso tempo, reflectindo sobre a sociedade contemporânea, os seus medos e contradições, a alienação e a repressão, captando as diferentes nuances e ambiguidades do real, com uma visão clínica, precisa e não sentimental, mas não isenta de humor, que surge como que por paradoxo no seio do drama, e narrativas desafiadoras e intransigentes: a violência gratuita em Brincadeiras Perigosas (1997, de que faria também, em 2007, uma versão americana); o colapso da comunicação em Código Desconhecido (2000); a família como despoletadora de conflitos; a crueldade do desejo sexual em A Pianista (2001), vencedor do Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes, assim como dos Prémios de Melhor Interpretação para Isabelle Huppert e Benoît Magimel; uma Europa como resto simbólico em O Tempo do Lobo (2003); a opacidade de um passado transformado em ameaça em Caché – Nada a Esconder (2005), pelo qual ganhou o Prémio de Melhor Realização em Cannes e o Prémio de Melhor Filme Europeu nos European Film Awards; as raízes do mal em O Laço Branco 2009), que lhe valeu a sua primeira Palma de Ouro; o aclamadíssimo e comoventíssimo Amor (2012), talvez o mais belo dos seus filmes, pelo qual venceu a sua segunda Palma de Ouro e o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, com prodigiosas interpretações de Jean-Louis Trintignant (que disse ser Haneke “o realizador mais completo” que já encontrou) e a Emmanuelle Riva de Hiroshima, mon amour, e a participação da actriz portuguesa Rita Blanco; Happy End (2017) o seu último filme, estreado no festival de Cannes, onde trabalha de novo com Huppert e Trintignant, é um impiedoso retrato de uma Europa à deriva, tendo como pano de fundo a crise migratória. Afirma Haneke: "Quando escrevi Happy End, Calais era o foco de todas as discussões na imprensa. (...) Foi a escolha ideal para o filme, pois este aborda a questão da nossa ignorância perante os outros. É sobre egocentrismo no seio da família, no local de trabalho, nos círculos nos quais nos movemos, mas também na nação como um todo, o modo como a miséria dos outros é individualmente irrelevante para nós. Tudo se resume às nossas pequenas rotinas da vida quotidiana."
— Medeia Filmes

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