Pontos nos iii - Science Beer Talks
A evolução do Rio Mondego e o atual risco de inundação em Coimbra
Orador: Pedro Proença e Cunha, Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente
Data: Quarta-feira, 15 de abril de 2026
Horário: 18h00 - 19h00
Preço: Entrada livre, sem necessidade de inscrição prévia
Organização: Em parceria com o Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra e a Cervejaria Praxis
A evolução do Rio Mondego e o atual risco de inundação em Coimbra
Pedro Proença e Cunha, professor no Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra e investigador no MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, é o convidado da sessão Pontos nos iii - Science Beer Talks de 15 de abril, com um tema pleno de atualidade e interesse: A evolução do Rio Mondego e o atual risco de inundação em Coimbra.
O rio Mondego, devido às condições climáticas mediterrânicas e à grande altitude da parte montante da sua bacia hidrográfica, é um rio semi-torrencial com grande irregularidade nos caudais anuais e inter-anuais. Em tempos históricos, estão documentadas muitas grandes cheias, tendo algumas atingido quase o limite exterior das planícies de inundação (ex. a Igreja de Santa Cruz).
A intensidade e duração da precipitação atmosférica na bacia hidrográfica, determinam a magnitude e duração das cheias. Num muito extremo caudal, o alagamento atingirá o limite exterior das duas planícies de inundação (24 m de altitude, em Coimbra).
A obra de Regularização do Mondego foi projetada tendo em conta que as barragens a montante assegurariam um caudal de ~1200 m³/s em Coimbra, com um período de recorrência de ~100 anos. Contudo, a gestão das barragens tem permitido que, desde 1990, caudais superiores tenham ocorrido mais de uma dezena de vezes, o que debilita os diques. Cerca de 2000 m³/s seria o caudal extremo que o sistema hidráulico do Baixo Mondego poderia aguentar sem colapsar e foi determinado que teria que ser raríssimo (com recorrência de ~1000 anos). Contudo, só nos últimos 25 anos, este caudal extremo ocorreu três vezes: 1940 m³/s, em 2001, 2185 m³/s em 2019 e 2105 m³/s em 2026.
Após a construção das barragens, de 1990 a 2000, não ocorreu alagamento das planícies de inundação. Isso levou à definição de um incorreto limite de zona inundável que, vertido em PDM, permitiu licenciar (imprudentemente) edificações nas planícies de inundação. Em conclusão, as tragédias em 2001, 2019 e 2026 deverão ter uma reflexão alargada acerca do planeamento e edificação em planície de inundação. E é exatamente dessa reflexão necessária que o investigador Pedro Proença e Cunha nos irá falar nesta sessão.
Nota biográfica
Pedro Proença e Cunha (Doutorado em Geologia, 1992) é Professor Catedrático no Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra. Tem 42 anos como professor universitário e investigador em análise de bacias cenozóicas, estratigrafia/sedimentologia aluvial, geomorfologia, neotectónica, geoarqueologia, datação por luminescência e estudo de terraços fluviais/marinhos. É Diretor do Laboratório de Sedimentologia da Univiversidade de Coimbra e investigador do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, bem como do Laboratório Associado ARNET. É membro correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Na base Scopus , tem h-index de 28 e 2300 citações. É autor de 550 publicações (https://orcid.org/0000-0002-9956-4652).
O Grande Auditório do Convento São Francisco acolhe, na próxima quarta-feira, dia 11 de março, às 21h30, o espetáculo “Samba de Guerrilha”.